Arquivo de Março, 2010

LIFE photo archive hosted by Google

LIFE photo archive hosted by Google

“Search millions of photographs from the LIFE photo archive, stretching from the 1750s to today. Most were never published and are now available for the first time through the joint work of LIFE and Google.”

holgas-polaroids-pinholes-lush-low-tech-photography

@WebUrbanist _go

“10 years into the 21st century, film photography has been almost completely written off as obsolete, with even amateur photographers ditching traditional cameras for the crispness and convenience of digital. But there’s something missing from today’s almost-too-perfect pictures: that indescribable magic that film can have. All the Photoshop filters and iPhone apps in the world can’t quite approximate the effects of low-tech photography taken with pinhole, Polaroid and Holga cameras.”

aquela película que ficou esquecida…

frugalphotographer.com

Kglamour | São Trindade

Para ver até 30 de Abril na [kgaleria] | rua da vinha 43a, bairro alto, lisboa de segunda a sexta das 10 às 19 e sábados das 14 às 19.

texto que acompanha a exposição:

A fotografia e a poeira das estrelas

KGlamour é o mais recente projecto de São Trindade, realizado especificamente para o 5º aniversário da [Kgaleria] do colectivo Kameraphoto e que consiste num conjunto de 18 retratos que abrangem a totalidade dos seus membros e do seu staff permanente, todos fotografados dentro das convenções que regeram as fotografias saídas dos estúdios de cinema ao longo de grande parte do século passado.

A fotografia, cumprindo um dos designios históricos que estiveram na base da sua industrialização, foi um dos instrumentos fundamentais na construção do star system que sustentou e acompanhou a época dourada de Holywood e do studio system desde a sua origem nos anos vinte de novecentos até finais de sessenta, data em que o seu declínio e desaparecimento eram factos consumados quer devido às leis que acabaram com o monopólio dos estúdios sobre os actores a a produção quer pela penetração da televisão na sociedade americana. A geração seguinte, pós-clássica, continuou a encontrar na fotografia uma poderosa aliada já que a prática e o consumo massivo da imagem fotográfica tinham contaminado todas as áreas da cultura popular ainda que os heróis agora fossem jovens rebeldes e as convenções igualmente outras.

O processo, na realidade, vinha de trás. Já na segunda metade de oitocentos, as imagens de celebridades das artes performativas, em primeiro lugar as do teatro, faziam as delícias de apreciadores e seguidores desta ou daquela personagem. Basta lembrar, a título de exemplo, a inúmera produção iconográfica de Sarah Bernhardt alguma da qual esteve a cargo de Nadar que soube, como poucos, entender o duplo papel da fotografia na construção do retrato: o da descrição de um indivíduo, das suas semelhanças e o da inscrição de uma identidade (para utilizarmos a definição de John Tagg). Assim, a fotografia inventariou rostos e corpos, produzindo uma plêiade de imagens de desejo que incentivavam à posse e à colecção.

O cinema recuperou esta prática, por alturas do final da época do silêncio e do advento do sonoro. O sistema de produção instalado tomava conta dos seus e a imagem fotográfica reificava o actor numa mercadoria vendável. O estúdio possuía o seu corpo, a sua imagem e garantia o retorno do investimento. O glamour foi o processo através do qual os actores se transformaram em estrelas e a fotografia foi um dos seus maiores agentes (o que era difícil não acontecer dada a partilha nos processos técnicos de fixação da imagem entre as duas práticas). Encenadas, na sua maioria em estúdio, com iluminação rigorosamente controlada, utilizando adereços estudados, um vasto corpo de imagens foi construído e posto a circular na maioria das vezes com a assinatura não do fotógrafo, seria mais frequente a do estúdio, mas do retratado. Corpo e imagem fundiam-se num objecto que simbolizava o próprio sistema e criava uma aura quase mágica em torno do actor que transportava em si todas as ficções a que tinha dado vida. Sinais do tempo, deste lado do Atlântico, Walter Benjamin, nas suas reflexões em torno da imagem e da representação (do cinema, também) falava do declínio e da quebra da aura de que a fotografia seria responsável, mas também de como a fotografia podia, nalguns casos, criar essa relação de interacção com o espectador em que a distância é anulada e os objectos nos devolvem o nosso olhar. Era mesmo no retrato que ele via a aparição da aura na fotografia, na tensão entre a presença e a ausência, na relação entre o realismo representacional da fotografia e a sua natureza indexical ao transportar os traços físicos do seu referente.

De regresso às fotografias, há uma dupla ironia neste conjunto de trabalhos. São Trindade recupera um modelo e uma convenção e põe o fotógrafo à frente da câmara. É ele quem se encontra agora no lugar da estrela repetindo a construção da pose, utilizando os mesmos adereços (é uma delícia a presença do fumo) e artifícios técnicos, exibindo a mesma afectação. O modelo não é ele mas aquele de quem ele toma o lugar. A ficção toma conta da biografia o que não teria o mesmo impacto se não se tratasse de um grupo de fotógrafos que apresenta fortes inclinações documentais. Temos assim o fotógrafo estrela, símbolo do glamour da profissão (como a vêem muitos dos que a não praticam) e a insistência de que a realidade é uma construção e como tal passível de ser ficcionada.

Longe das estrelas, em Les 400 coups, de Truffaut, Antoine Doinel rouba uma fotografia da “Monika” de Bergman, transformada no seu objecto de desejo; é ela quem ele quer. Olhe o conjunto de fotografias… já escolheu a sua?

francisco feio, Março 2010

KGLAMOUR_São Trindade

The Hasselblad Foundation Award

Sophie Calle é a vencedora do prémio 2010, foi há pouco anunciado (wmv | mpeg4)

ff

novamente a WPP2010

O júri do WPP 2010 retirou o 3º prémio que tinha sido atrbuído ao fotógrafo Stepan Rudik na categoria de Sports fetaures.

A razão foi a manipulação a que as fotografias foram sujeitas: excesso de processamento na série e retoque de um detalhe em pelo menos uma delas.

O autor não contesta; bom mesmo era que entendesse as razões.

É em parte o regresso da discussão em torno de Edgar Martins e que ia animando o verão.

Podem ler alguns comentários e reflexões aqui (Lens, o blog de fotografia do The New York Times), aqui (British Journal of Photography) ou  aqui (Peta Pixel).


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